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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

O Cego de Nascença

O Cego de Nascença

O Cego de Nascença

O capítulo 9 do Evangelho de João inicia destacando a postura dinâmica de Jesus, que está sempre em movimento. Ele não apenas está fisicamente em movimento, percorrendo diferentes lugares e encontrando pessoas em suas necessidades, mas também está constantemente em movimento espiritual, buscando estender Sua luz e amor a todos.

Naquele dia, conforme registrado em João 9:1-3, Jesus, ao passar, viu um homem que era cego de nascença. E, de forma intrigante, seus discípulos o interrogaram: "Rabi, quem pecou, ele ou seus genitores, para que fosse gerado cego?" A resposta do Mestre é profunda: "Nem ele pecou nem seus genitores, mas para que fossem manifestadas nele as obras de Deus."

A Concepção Judaica de Deus

Primeiramente, devemos nos deter na pergunta elaborada pelos discípulos. De imediato, a pergunta revela a ideia que o povo judeu mantinha em relação a Deus naquela época. Sem dúvida, eles concebiam a ideia de Deus como um ser vingativo, que punia a humanidade por seus desvios, impondo enfermidades, limitações físicas e mentais como castigo, conforme relatado em grande parte dos textos bíblicos.

A pergunta feita a Jesus também denota que, para o povo da época, Deus não era apenas visto como vingativo, mas principalmente como injusto, pois punia não apenas os pecadores, mas também sua descendência.

A Reencarnação na Tradição Judaica

Por outro lado, a pergunta formulada pelos discípulos deixa transparecer a crença dos judeus na reencarnação. Eles acreditavam, sem dúvida alguma, que o ser humano nasce, morre e renasce em novas vidas sucessivas.

Essa ideia se torna evidente na pergunta feita pelos discípulos, pois se a cegueira do homem era desde o nascimento, não faria sentido lógico perguntar quem havia pecado, se o cego ou seus pais. Isso sugere que eles reconheciam a possibilidade de que as consequências dos atos e escolhas de vidas passadas pudessem refletir na situação atual de uma pessoa. Afinal, nascido cego, em razão de suposto castigo que lhe fora infligido pelo Deus vingador, os discípulos queriam saber quando aquele homem havia pecado.

Referências Bíblicas à Reencarnação

Aliás, a questão da reencarnação era o pensamento da época, sendo, inclusive, abordada em outros episódios da Bíblia, como, por exemplo, em Mateus 17:10-13, onde Jesus afirma que João Batista é Elias reencarnado. É verdade que o termo "reencarnação" não foi empregado especificamente no texto, uma vez que se trata de um termo mais contemporâneo. No entanto, a declaração de Jesus sobre João Batista ser Elias indica claramente a ideia de uma nova manifestação ou retorno de uma mesma entidade espiritual em uma nova vida. Elias, como profeta, havia desaparecido cerca de nove séculos antes de Jesus, e a profecia em Malaquias 5:4 previa seu retorno antes da vinda do Messias.

Outra passagem referente a reencarnação está descrita em João 3, 1-12, no episódio que narra o encontro de Nicodemos com Jesus. Nicodemos procurou Jesus com o objetivo de obter esclarecimentos sobre uma questão que o perturbava. Ele buscava respostas para suas dúvidas e ansiava por compreender melhor as verdades espirituais. Ele queria saber o que era necessário fazer para alcançar o Reino de Deus. Ao sondar a intimidade de Nicodemos, Jesus afirma ao fariseu, que era mestre e doutor da lei, a necessidade de nascer de novo para alcançar conquistas espirituais significativas. Diante do espanto de Nicodemos em relação ao tema, Jesus expressa surpresa, dizendo-lhe que seria difícil explicar-lhe sobre as coisas celestiais se ele, sendo um mestre em Israel, não compreendia plenamente as coisas terrenas.

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A Lei de Causa e Efeito

O texto de João também aponta que, além do tema das vidas sucessivas, a pergunta feita pelos discípulos a Jesus indica que os judeus tinham um entendimento sólido da lei de causa e efeito como manifestação da justiça divina. Eles compreendiam que os males enfrentados na vida presente estavam relacionados a faltas cometidas no passado. No entanto, sua compreensão da justiça divina estava permeada pela ideia de castigos e punições.

A Verdadeira Natureza de Deus

Jesus veio ao mundo para ensinar aos homens que Deus é amor, cuja justiça é toda fundamentada na misericórdia. Um Pai Amoroso que não pune, nem castiga, mas educa os filhos que muito ama para que aprendam igualmente a amar.

É por isso que Jesus responde aos discípulos que a cegueira do homem não tinha qualquer relação de causa e efeito com seu passado, não sendo, portanto, resultado de punição divina, porque Deus não pune, Deus educa.

A Autopunição e Suas Manifestações

A punição é uma manifestação da imperfeição humana. Como seres imperfeitos e frágeis, carregamos em nossa consciência as leis divinas, e mais cedo ou mais tarde somos levados a confrontar nossas ações registradas em nosso íntimo. Diante dos desvios cometidos, a punição se impõe como forma de buscar alívio da culpa que nos atormenta e nos rouba a paz.

A mente humana, quando desequilibrada pela culpa, pode interferir nas estruturas sutis do corpo físico e espiritual, resultando em enfermidades, problemas e aflições. Essa autopunição pode manifestar-se por meio de aflições e doenças que surgem como consequência das emoções negativas e dos padrões de pensamento dissonantes. A carga emocional não resolvida e a autocrítica podem desencadear um ciclo de autopunição, afetando tanto o bem-estar físico quanto o espiritual. Quantas aflições e doenças são resultados da autopunição.

O Mecanismo da Autopunição

A autopunição é uma resposta emocional e mental que muitas vezes surge como uma tentativa ilusória de resolver conflitos com as leis divinas. É uma forma infantil e limitada de lidar com a culpa e a busca pela reconciliação interior. Ao escolher a autopunição, o ser humano acredita que está pagando por seus erros e se redimindo, mas na verdade essa abordagem não traz uma verdadeira cura ou transformação.

É assim que o ser humano, frágil e imperfeito, diante de um crime cometido contra seu próximo, para livrar-se da consciência de culpa, escolhe renascer sem os braços que outrora usou para ferir, porque ainda é incapaz de pensar na possibilidade de embalar nos braços, como filho, aquele que no passado feriu. Renascer sem os braços é escolha humana, jamais Justiça Divina.

A Verdadeira Justiça Divina

A justiça divina, segundo Emmanuel, no livro O consolador, opera-se de forma diversa. Na resposta à questão 135, Emmanuel diz que todo aquele que interferir indevidamente na harmonia divina, expressão do belo e do harmonioso, terá que recompor os elos sagrados que foram rompidos. Emmanuel usa o verbo recompor, que significa recuperar, reorganizar.

Ao voltarmos ao texto de João para examinar a resposta dada por Jesus aos discípulos, nos deparamos com uma nova revelação. Jesus ao responder aos discípulos, acrescentou que: "Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus."

As Obras de Deus

Notemos que nem toda dor e sofrimento são mecanismos de operação da lei de causa e efeito. Jesus nos apresenta uma outra verdade: a cegueira do homem era manifestação das obras de Deus.

E o que são as obras de Deus? Obras são resultados de uma ação. A cegueira do homem era resultado de uma ação e não de uma punição, como acreditavam equivocadamente os discípulos. Na verdade, a cegueira do homem, funcionava como um instrumento para impulsionar seu progresso espiritual.

Este tema está tratado no Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, item 09:

"Não se deve crer, no entanto, que todo sofrimento suportado neste mundo seja necessariamente indício de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas escolhidas pelo Espírito para concluir a sua depuração e acelerar o seu adiantamento.

Casos Ilustrativos

No livro Missionários da Luz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 12, o espírito André Luiz, narra casos semelhantes, dentre os quais cita-se o caso de Silvério e de uma moça, cujo nome ficou no anonimato.

Silvério, quando da análise de seu projeto reencanatório, acolhe a sugestão de seus mentores, em nascer com um problema na perna, a fim de que o problema de saúde da perna se lhe apresentasse como um "antídoto à vaidade, uma sentinela contra a devastação do amor próprio".

A moça, cujo nome ficou no anonimato, solicita ajustes em seu modelo de corpo físico, para que desenvolvesse problemas na tireoide e na paratireoide, a fim de não se apresentar na Terra com uma forma física perfeita, acrescentando que preferia a fealdade corpórea, para não sucumbir aos apelos da vaidade.

Conclusão

O diálogo entre Jesus e seus discípulos, assim como os exemplos dos personagens do livro "Missionários da Luz", nos esclarece que as deficiências físicas e outras dificuldades enfrentadas durante uma encarnação não sejam apenas flagelos expiatórios, mas também oportunidades de crescimento espiritual. Essas experiências desafiadoras podem ser vistas como ferramentas de ascensão, permitindo que o espírito imortal avance em seu caminho evolutivo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Concilia-te com Teu Adversário

Concilia-te com Teu Adversário

Concilia-te com Teu Adversário

"Concilia-te depressa com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil." - Mateus 5,25

Introdução

De acordo com o dicionário padrão, adversário é definido como o antagonista, opositor, aquele que se opõe. Conciliar, por sua vez, consiste em entrar em acordo com; pôr ou ficar em paz.

O texto destacado traduz um convite de Jesus à pacificação com os adversários como medida terapêutica para a obtenção de saúde mental, emocional e espiritual.

Os Adversários Internos

Obviamente, os adversários mencionados no texto não se referem apenas às pessoas com quem se criaram inimizades devido a contendas, mas também representam os sentimentos e pensamentos negativos que residem na intimidade do ser, do espírito imortal.

No capítulo 05 do livro 'Ceifa de Luz', na mensagem 'A lição da espada', Emmanuel afirma que os inimigos de nossa paz estão ocultos em nosso próprio eu, manifestando-se como orgulho, intemperança, egoísmo e animalidade.

Por sua vez, Joanna de Angelis,no livro 'Triunfo Pessoal', conclui que os adversários aos quais Jesus se referia correspondem aos pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos que mantemos e alimentamos.

O Processo de Autoconhecimento

Todavia, o contato com os adversários na intimidade do ser exige um mergulho profundo na alma, alcançado através do autoconhecimento. A literatura oferece uma variedade de técnicas voltadas a esse fim, dentre as quais se destaca a auto-observação.

Esta prática consiste em observar os próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos, abstendo-se de qualquer julgamento ou autocrítica. Trata-se de um exercício de pura observação, similar ao recomendado em práticas de meditação.

Desafios da Auto-observação

O processo de auto-observação não é simples nem sempre agradável, pois demanda disciplina e determinação. Muitas vezes, quando o observador se depara com suas próprias dificuldades morais, que antes acreditava não possuir, surge a tentação de desistir da experiência.

Aceitação e Crescimento Espiritual

É natural que, à medida que a auto-observação se aprofunda e as imperfeições morais vêm à tona, surjam sentimentos de vergonha e autocrítica. Contudo, é vital recordar que a Terra é vista como um planeta de provas e expiações, povoado por espíritos ainda em aprendizado, onde o mal tem grande presença.

Diante dessa realidade, não há motivo para cultivar sentimentos de vergonha ao reconhecermos nossas fraquezas morais, já que todos nós as temos em variados graus. O reconhecimento dessas falhas é essencial para o crescimento espiritual: ele nos permite um entendimento mais profundo de nós mesmos e nos incentiva a trabalhar para superar tais imperfeições, em busca da evolução pessoal.

A Importância da Aceitação

Jesus orientou que oremos uns pelos outros, pois estamos todos na mesma faixa vibratória. Aceitar-se como um espírito ainda em evolução, encarnado em um mundo de provas e expiações, é uma atitude humilde, que evidencia a consciência de nossa condição humana e a compreensão de que somos meros aprendizes na jornada da vida.

O Perigo da Negação

Contudo, o perigo está em negar as imperfeições morais que identificamos em nossa essência. Tal atitude impede qualquer possibilidade de pacificação, como Jesus nos orientou. Afinal, como é possível promover a paz com adversários internos quando negamos sua existência?

Conflitos Psicológicos e Libertação

Muitos conflitos psicológicos surgem devido à falta de aceitação das próprias imperfeições, as quais não deixam de existir apenas porque foram negadas. Pelo contrário, quando ignoradas, essas imperfeições tendem a se manifestar nos pensamentos, ações e sentimentos, sem que haja controle consciente sobre elas.

Na mensagem, o preço da liberdade é simbolizado pelo ceitil, um montante monetário de pouca importância. De forma simbólica, Jesus nos ensina que um simples impulso da alma, uma pequena reflexão, é o suficiente para libertar alguém das amarras que ele mesmo criou por conta de sua ignorância.
Neste sentido, a questão 909, do Livro dos Espíritos, lança luz sobre o tema. "Concilia-te com teus adversários". Eis a terapêutica para nossos conflitos internos. Conciliar-se implica em buscar um entendimento ou acordo de paz com nossas inquietações interiores. O Mestre não sugere que eliminemos completamente nossos adversários, isto é, nossas imperfeições morais. Ele jamais nos pediria algo além de nossa capacidade. Devemos entender que a transformação moral é um processo contínuo que se desenrola ao longo de séculos.

O Processo de Transformação

No livro 'Sementeira de Luz', capítulo 30, psicografado por Chico Xavier, o espírito Neio Lúcio ensina que a purificação dos sentimentos ocorre apenas no extenso e por vezes doloroso decorrer dos séculos. É através do ciclo contínuo de múltiplas vidas que conseguimos eliminar nossos defeitos e desenvolver as mais elevadas qualidades do espírito.

A Parábola da Torre Inacabada

Na parábola da Torre Inacabada, Lucas 14, 31-32, Jesus faz o mesmo convite, alertando-nos sobre a impossibilidade de se estabelecer um confronto entre o EU divino (SELF) e o EGO.

"Qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz."
Diante dos conflitos internos entre o SELF o EGO, a mensagem é clara: devemos reconhecer nossas limitações e buscar a reconciliação interna. Em vez de permitir que esses dois aspectos do ser entrem em conflito direto, é mais sábio buscar o entendimento e a harmonia, assim como um rei que, percebendo sua desvantagem, busca condições de paz antes do confronto

Conciliar significa não entrar em conflito com os próprios defeitos morais, mas sim mantê-los sob controle, evitando que se manifestem de maneira a causar dano aos outros.

Segundo o 'Livro dos Espíritos', na questão 893, aqueles que conseguem adotar tal postura já obtiveram uma virtuosa conquista.

O Verdadeiro Espírita

Allan Kardec, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo XVII, acrescenta: "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más".

O verdadeiro espírita é aquele que se esforça para dominar as más inclinações. E, dominando-se, transforma-se.

Conciliar com os adversários é manejar os recursos da alma a fim de diminuir, pouco a pouco, a manifestação das imperfeições morais no pensamento, nas escolhas e no comportamento perante a vida. E, neste manejo, sem dúvida alguma, o êxito será resultado de inúmeras tentativas.

Por isso, Jesus nos pede para perseverar, jamais desistir (Mateus 24:13).

Conclusão

Emmanuel, no livro "Pão Nosso", capítulo 36, expressa:

"Muita gente se desanima e prefere estacionar, séculos a fio, nos labirintos da inferioridade; todavia, os bons trabalhadores sabem perseverar, até atingirem as finalidades divinas do caminho terrestre, continuando em trajetória sublime para a perfeição."

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A Parábola do fermento

A Parábola do fermento

A Parábola do Fermento

No relato da parábola do fermento, presente em Lucas 13:21, Jesus utiliza símbolos e imagens singelas para veicular ensinamentos espirituais. Estes temas, conectados à neuroespiritualidade, foram mais tarde elucidados à humanidade através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier no livro "No Mundo Maior".

A que é semelhante o Reino de Deus e com o que posso compará-lo? É semelhante a um fermento que uma mulher tomou e misturou em três partes da massa, até a massa toda ficar levedada.

O Conceito do Reino de Deus

A expressão "Reino de Deus" é uma das mais recorrentes nas palavras de Jesus, conforme registrado nos quatro evangelhos. Isso por si só sinaliza a centralidade e a profundidade desse conceito em sua mensagem, convidando-nos a uma reflexão profunda sobre seu significado.

A Perspectiva Transcendental

No episódio mencionado em Lucas 17, 20-21, um fariseu, que representa aqui uma compreensão mais literal e expectante da vinda do Reino, indaga a Jesus sobre o tempo e o modo de sua manifestação. Muitos, na época, ansiavam por um reino tangível, um evento espetacular na sequência histórica que mudaria a ordem das coisas.

A resposta de Jesus, contudo, desconstrói essa expectativa. Ele declara que o Reino de Deus não se manifesta através de indicativos externos visíveis. Não é um evento que possamos apontar e dizer: "Veja, está aqui!" ou "Lá está!". Em vez disso, Jesus apresenta uma perspectiva transcendental e, ao mesmo tempo, profundamente pessoal: o Reino de Deus está intrinsecamente ligado à intimidade do ser humano, à sua essência e consciência.

Em outras palavras, não é apenas um fenômeno exterior a ser observado, mas uma realidade interna a ser vivenciada e realizada dentro de cada indivíduo. A forma como Jesus responde ao fariseu revela que o termo "Reino de Deus", de fato, guarda uma profunda conexão com a dimensão imaterial do ser, refletindo a consciência e o psiquismo humano.

A Simbologia do Fermento e do Pão

A Parábola do Fermento se torna um paralelo instrutivo para este entendimento. Fermento, por sua natureza, é um agente de transformação. Ele trabalha de dentro para fora, modificando a essência da massa, tornando-a mais leve e expansiva. Ao fazer referência a três medidas de fermento, Jesus não apenas destaca a ideia de transformação, mas também a ideia de completude.

A metáfora do pão, especialmente no contexto judaico-cristão, é rica em significados e implicações. Na tradição bíblica, o pão tem sido frequentemente associado à providência divina e ao sustento espiritual.

A Parábola do Fermento, com sua ênfase na transformação da massa por meio do fermento, oferece-nos uma visão do processo de desenvolvimento e maturação espiritual. Assim como o pão precisa passar por várias etapas - desde a escolha dos ingredientes, a mistura, o tempo de fermentação e, finalmente, o cozimento - a jornada espiritual de um indivíduo também é marcada por fases distintas de crescimento, aprendizado e transformação.

É intrigante notar que o texto apresenta uma fórmula – adição de fermento em três partes da massa – que garante a fermentação de toda a massa até que esteja pronta para ser assada e transformar-se em pão.

A simbologia do pão na tradição cristã é profundamente enraizada e multifacetada. O pão, em muitas culturas e tradições, é visto como o sustento básico da vida. Em um contexto mais amplo, representa a satisfação das necessidades humanas – tanto físicas quanto espirituais.

Provavelmente, esse era o intuito de Jesus ao se proclamar o "pão da vida" (João 6:48). Assim como o pão alimenta e fornece energia ao corpo, a presença e os ensinamentos do Cristo buscam nutrir e revitalizar o espírito humano. Nesse contexto, "vida" refere-se a uma existência enriquecida e plena, não apenas em termos de longevidade, mas de qualidade e profundidade espiritual.

Se o pão é o alimento que sacia a fome, Jesus, ao se autodenominar o "pão da vida" (João 6:48), faz, sem dúvida, uma alusão a um padrão psíquico. Nesse caso, o pão pode ser interpretado como um símbolo do espírito que atingiu a plenitude espiritual e mantém uma conexão íntima e perfeita com Deus.

A Parábola do Fermento aborda o processo pelo qual o espírito (psiquismo humano) se desenvolve por meio das inúmeras experiências encarnatórias, até atingir o padrão de Cristo e ser comparado ao pão, elemento que nutre e sacia a fome.

A Casa Mental: O Modelo dos Três Andares

No terceiro capítulo da obra "No Mundo Maior", o benfeitor espiritual Calderaro aborda o tema "Casa Mental" ou "Castelo de Três Andares". Esta analogia é utilizada para exemplificar o psiquismo humano, dividido em "três andares". Essa divisão encapsula toda a trajetória evolutiva do ser, bem como as potencialidades que são intrínsecas a ele.

Esclarece, assim, Calderaro: "O cérebro é o órgão sagrado de manifestação da mente, em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana. Nessa penosa romagem, inúmeros milênios decorreram sobre nós. Estamos, em todas as épocas, abandonando esferas inferiores, a fim de escalar as superiores."

Os Três Níveis da Casa Mental

No PRIMEIRO ANDAR, encontram-se as conquistas do espírito no domínio dos instintos, que garantiram sua sobrevivência ao longo dos milênios. Esse andar é um arquivo do passado. Nele estão armazenadas as energias mais primitivas, os hábitos, automatismos, impulsos e tendências. Pode-se afirmar que o primeiro andar representa o "homem velho", prisioneiro de suas paixões, vícios e perturbações instintivas. Quando o ser age por impulso ou de forma automática, está acessando as energias desse primeiro patamar da casa mental.

No SEGUNDO ANDAR encontram-se as conquistas recentes. Esse é o departamento do esforço e da vontade, onde as qualidades nobres estão sendo construídas e solidificadas. É deste segundo patamar que surgem os esforços necessários para domar as más tendências, adquiridas ao longo da evolução e arquivadas no primeiro andar da casa mental.

Quando o ser desperta para a realidade de sua natureza imortal em direção a Deus e entende que Jesus é o modelo, deixando-se guiar por Suas lições, estabelece-se uma verdadeira sintonia com as energias que emanam, em forma de convites e inspirações, do terceiro andar.

O segundo andar é o departamento que abriga as conquistas recentes no âmbito da virtude e dos sentimentos.

Por fim, o TERCEIRO ANDAR é o refúgio das noções mais elevadas. Representa o futuro e o ser cósmico que está latente dentro do ser humano, conforme as palavras de Jesus: "Vós sois deuses".

Nesse terceiro nível da mente residem os ideais nobres e as aspirações elevadas que o indivíduo busca alcançar. É a representação do homem novo, já consolidado. É ali que se encontram gravadas as leis divinas, como mencionado na questão 621 do Livro dos Espíritos.

Quando Paulo de Tarso proferiu a famosa frase, ao final de sua vida, "não sou eu mais quem vive, mas o Cristo que vive em mim", ele estava sob as energias inspiradoras do terceiro andar de sua casa mental.

O Cérebro Triuno e a Neurociência

O tema não ficou restrito apenas à esfera do espiritismo. A neurociência também se debruça sobre ele. Em 1970, o neurocientista Paul MacLean, após pesquisar a estrutura encefálica, propôs o conceito do cérebro triuno. Este conceito também sugere uma estrutura cerebral dividida em três regiões, que se sobrepuseram durante a evolução da espécie humana, muito alinhado ao que foi mencionado anteriormente em "No Mundo Maior", publicado em 1947.

A análise das estruturas que formam a mente, constituindo a 'casa mental', e aquelas presentes no corpo físico, como o cérebro, é crucial para a compreensão da Parábola do Fermento.

Essa conexão entre a visão espiritual e científica é fascinante e ajuda a criar um diálogo entre as duas áreas, mostrando que, em muitos casos, elas podem estar apontando para a mesma verdade a partir de perspectivas diferentes.

As três porções de fermento mencionadas na parábola fazem referência às três estruturas que compõem o modelo da casa mental. Esses andares ou estruturas representam conquistas do espírito ao longo de seu processo evolutivo.

A analogia é perfeita. A massa só fermenta quando se adicionam as três porções de fermento. Da mesma forma, o espírito só atinge a perfeição, à semelhança do Cristo (Pão da Vida), quando suas conquistas estão solidificadas em sua casa mental. Além disso, é essencial manter a harmonia entre as três estruturas que a compõem. Não estamos falando de três cérebros, mas de um único cérebro com três departamentos que interagem constantemente.

Conclusão: O Processo de Transformação Espiritual

Neste prisma, pode-se afirmar que todos os conflitos humanos, as enfermidades e as dificuldades que experimentamos na vida decorrem da nossa inércia em educar essas energias psíquicas, especialmente aquelas que se encontram no porão da consciência, o primeiro andar da casa mental.

O maior desafio de nossa atual encarnação é desenvolver o segundo andar da casa mental. Para isso, devemos utilizar as ferramentas do esforço e da vontade, a fim de superarmos tendências inferiores, hábitos animalizados e paixões asselvajadas. Assim, damos aos instintos — forças da alma — uma direção nobre, colocando-os a serviço de nossa evolução moral.

Do terceiro andar, por enquanto, apenas recebemos inspirações e convites voltados à prática do bem. Ao estabelecer harmonia entre as energias que emanam do primeiro e segundo andares, nos capacitamos a viver segundo o padrão mental presente no terceiro andar. Dessa maneira, alcançamos a consciência cósmica em plena sintonia com Deus.

É neste ponto que a massa é levedada e está pronta para se tornar pão, saciando a fome. "Pois àquele que vai ao Cristo, de modo algum sentirá fome" (João 6:35).

O Grão de Mostarda

O Grão de Mostarda - Uma Análise Espiritual

O Grão de Mostarda - Uma Análise Espiritual

A que é semelhante o Reino de Deus e com o que posso compará-lo? É semelhante a um grão de mostarda que um homem semeou no campo e que é a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.

A Parábola e seu Significado

Na pequena parábola do grão de mostarda, narrada em Lucas 13, 18-19, em apenas dois versículos, Jesus utiliza, novamente, a expressão "Reino de Deus", para transmitir conteúdos espirituais que dizem respeito à evolução do espírito imortal.

A escolha do grão de mostarda, considerada uma das menores sementes conhecidas naquele tempo, teve como propósito traçar um paralelo entre essa semente e a evolução do espírito. Assim, a menor das sementes, quando plantada em solo fértil, pode transformar-se em uma árvore frondosa.

A Criação Divina

As árvores não surgem prontas das mãos do Criador. Deus espalha pelo mundo sementes repletas de potencialidades, destinadas a se tornarem árvores majestosas.

Nesse contexto, o Livro dos Espíritos, em resposta às questões 115 e 118, elucidou que Deus criou todos os Espíritos de forma simples e ignorante, isto é, sem conhecimento. O objetivo é que todos alcancem a perfeição, um destino do qual ninguém poderá se esquivar.

O Processo de Evolução

Da mesma forma que as sementes, os espíritos, criados em sua simplicidade e ignorância, são lançados nos mundos materiais para que possam evoluir e, eventualmente, se tornarem espíritos puros.

Essa é a essência da parábola. A semente, ao longo de várias etapas de desenvolvimento, transforma-se em árvore. Ela começa seu trajeto na obscuridade da terra, rompendo a casca que a confina. Superando obstáculos do solo, surge como um tênue broto verde e, com o passar e repetição das estações, fortalece-se e cresce imponente.

No Capítulo 2 de "O Livro dos Espíritos", é elucidado que a jornada rumo à perfeição espiritual é trilhada através das incontáveis reencarnações em diferentes mundos materiais. É através destas sucessivas vivências corpóreas que o espírito desabrocha suas potencialidades intrínsecas, cultivando inteligência e refinando sua sabedoria.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

A Candeia Debaixo do Alqueire

A Candeia Debaixo do Alqueire

A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE

Na parábola da Candeia, Jesus encoraja cada indivíduo a ser o arquiteto de sua própria evolução espiritual, enfatizando a importância da autotransformação moral. Este ensinamento convida-nos a refletir profundamente sobre nossa trajetória e responsabilidades, destacando que, em nossas mãos, está a capacidade de moldar nosso caráter e destino através da introspecção e do compromisso moral.

Ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com um vaso, ou a coloca debaixo de um leito, mas coloca-a sobre o candeeiro para que os que entram vejam a luz. Porque não há algo escondido que não se torne manifesto, nem oculto que não venha a ser conhecido e manifesto. Vede, pois, como ouvis; pois quem tiver, a ele será dado, e quem não tiver, até o que parece ter será tirado dele.

Lucas 8, 18 a 18

Análise do Primeiro Versículo

Candeia era um instrumento essencial de iluminação durante a época de Jesus, alimentada por óleo e comumente encontrada em todas as residências. Era tradicionalmente posicionada em lugares elevados dentro das casas, a fim de garantir uma iluminação uniforme e eficiente no ambiente.

Jesus utiliza essa simbologia para nos convidar a direcionar a luz de nossa consciência para o nosso mundo íntimo, explorando a inconsciência onde se acumulam densas sombras. Por serem desconhecidas por nós, essas sombras frequentemente dão origem a atitudes, comportamentos, reações, pensamentos e palavras que podem surpreender e perturbar quem as manifesta.

Não são raras as ocasiões em que nos surpreendermos com nossos próprios pensamentos, marcados por rancor, inveja, ciúme, ódio ou desejos de vingança. Quantas vezes nos vemos envergonhados por nossas palavras, ações ou comportamentos? Tais manifestações revelam que o psiquismo humano, frequentemente, está mergulhado em profundas sombras, clamando por iluminação.

Esse conteúdo interno obscuro tende a se conectar à espiritualidade inferior, como destacado em O Livro dos Espíritos. Emmanuel, no livro Pensamento e Vida, psicografado por Francisco Cândido Xavier, também ressalta: "Todos nós somos capazes de captar as emissões mentais daqueles que pensam como nós."

Por isso, o processo do autoconhecimento se faz urgente, sobretudo neste tempo de transição planetária.

A Busca pela Verdade

Na parábola, a candeia depende do óleo como combustível para gerar luz. No campo íntimo, o combustível de que necessitamos para a iluminação das nossas sombras internas,é apontado por Jesus, em João 8:32:,

Conhecereis a verdade e ela vos libertará

João 8:32

Mas, afinal, o que é a verdade?

Essa pergunta foi feita a Jesus, há dois mil anos, pelo governador da Judeia, Pôncio Pilatos, conforme registrado no Evangelho de João (18:38). No entanto, o Mestre respondeu com silêncio. Segundo o espírito Humberto de Campos,no livro Lázaro Redivivo, (capítulo 32), psicografado por Chico Xavier, o silêncio de Jesus revela que a verdade não é um bem transmissível. Ela não pode ser adquirida por meio de informações externas, mas deve ser conquistada ao longo da vida. A verdade é uma realização pessoal e eterna, que precisa ser gradativamente assimilada dentro de cada ser, através de experiências, reflexões e da consciência individual.

Se a verdade é o combustível capaz de iluminar e libertar a alma de suas trevas internas, pavimentando o caminho para o autoconhecimento, surge uma pergunta inevitável: como alcançá-la.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6). Com estas palavras, Jesus estabelece sua conexão direta com Deus e nos mostra que é através de seus ensinamentos que nos aproximamos do Pai. O Evangelho, fonte de amor e sabedoria, guia as almas em busca da comunhão divina. Porém, apenas conhecê-lo superficialmente não é suficiente para a verdadeira transformação interior.

Na obra Renúncia, psicografada por Chico Xavier, o espírito Emmanuel, através da personagem Alcione, ensina que o Evangelho é um caminho de ascensão espiritual. Não basta apenas conhecer suas palavras - é preciso meditá-las e, principalmente, vivenciá-las. O primeiro passo dessa jornada é o conhecimento. Como uma candeia que ilumina a escuridão, o estudo do Evangelho acende a luz interior que guiará o espírito em sua evolução.

O Processo de Autoiluminação

A autoiluminação é o convite expresso na Parábola da Candeia, permitindo ao ser evoluir de forma consciente, já que lhe permite ampliar sua visão íntima. Isso o capacita a reconhecer suas falhas morais para transformá-las, alinhando seu psiquismo ao modelo de Jesus.

Assim como não se deve ocultar uma candeia acesa sob o leito, não basta apenas estudar os ensinamentos de Jesus sem aplicá-los na vida. Para manter viva essa luz interior, é fundamental meditar sobre o conhecimento adquirido, permitindo que os ensinamentos ecoem em nosso coração.

A meditação nos leva a questionar como podemos aplicar as lições do Evangelho no dia a dia: como praticar o perdão setenta vezes sete, como amar verdadeiramente ao próximo, como evitar julgamentos e como exercer o autoperdão.

São inúmeros ensinamentos que, quando verdadeiramente compreendidos e praticados, guiam nossa evolução espiritual.Meditar sobre o Evangelho significa refletir e visualizar sua aplicação prática. Sentir e vivenciar seus ensinamentos demanda esforço e persistência, pois envolve a transformação de emoções e sentimentos.

O Caminho da Transformação

O processo de evolução consciente, que leva a conquista da transformação moral, por meio do autoconhecimento, é gradativo, longo e bastante difícil, mas é o único caminho que nos libertará de todo sofrimento e de toda dor.

A Parábola da Candeia convida à autoiluminação, um processo que amplia a visão interior e permite reconhecer falhas morais para transformá-las segundo o modelo de Jesus.

"Brilhe a vossa luz diante dos homens!" - mas para que isso ocorra, é preciso libertar essa luz das sombras que a encobrem.

"Não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz

Por meio do autoconhecimento e da introspecção, nossas imperfeições morais e sentimentos egoístas tornam-se evidentes. É fundamental aceitar essas descobertas, pois são próprias da condição humana. Como espíritos em evolução, devemos trabalhar pacientemente para superar as falhas identificadas, não as negando ou mascarando, mas reconhecendo-as como parte do processo de construção íntima guiado por Jesus.

"Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado

À medida que avançamos no autoconhecimento, trazendo à luz e transformando nossos sentimentos mais grosseiros, recebemos mais força e clareza para prosseguir em nossa jornada de iluminação.Esse processo nos permite identificar falsas virtudes que apenas mascaram nossas imperfeições reais. Como disse Jesus: "aquilo que parece ter lhe será tirado" - referindo-se a essas pseudo-virtudes que adotamos para aparentar o que não somos. A transformação moral conquistada por meio do autoconhecimento é um processo gradual e desafiador, mas é o único caminho para a verdadeira libertação do sofrimento.

Conclusão

Vinde a mim, todos vós que sofreis, e eu vos aliviarei.

O caminho que nos conduz a Jesus começa com o entendimento de seu Evangelho de Amor. Ao refletirmos e aplicarmos seus ensinamentos, somos convidados a vivenciá-los em sua plenitude. Apenas ao incorporarmos verdadeiramente a mensagem de Jesus é que chegaremos até Ele, encontrando alívio e uma felicidade genuína. O percurso é árduo, mas tenhamos coragem. É possível triunfar!

terça-feira, 14 de maio de 2019

Por que Reencarnamos no Brasil

Por que Reencarnamos no Brasil

Por que Reencarnamos no Brasil

A Parábola dos Vinhateiros Homicidas, registrada por Mateus no capítulo 21, versículos 33 a 45, quando interpretada à luz da doutrina espírita, permite identificar o motivo da nossa reencarnação no Brasil. Espíritos milenares, provenientes de centenas de outras civilizações, muitas das quais já não existem, fomos reunidos em terras brasileiras para cumprir um compromisso anunciado na Parábola dos Vinhateiros Homicidas. Esta parábola fala diretamente aos corações dos brasileiros sobre o compromisso que temos com Jesus.

A Parábola dos Vinhateiros Homicidas

Um homem, chefe de família, plantou uma vinha, circundou-a com uma cerca, cavou nela um lagar para pisar uvas e construiu uma torre de guarda. Em seguida, arrendou a vinha a agricultores e viajou para o estrangeiro. Quando se aproximou o tempo dos frutos, enviou seus servos aos agricultores para receber seus frutos. Os agricultores, porém, agarraram os servos, espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram. Novamente o dono da vinha enviou outros servos, em maior número que os primeiros. Mas eles os trataram do mesmo modo. Por fim, enviou-lhes o próprio filho, dizendo: respeitarão a meu filho. Mas os agricultores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e tomemos posse de sua herança! Então, agarraram-no e lançaram-no fora da vinha e o mataram. Então, quando o senhor da vinha voltar, que fará com esses agricultores? Perguntou Jesus aos que o ouviam. Eles responderam. Dará triste fim a esses criminosos e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo. Então, Jesus lhes diz: "Vocês nunca leram nas Escrituras? 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isso vem do Senhor, e é admirável aos nossos olhos? Por isso vos digo que o Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que produza seus frutos".

Interpretação Espírita da Parábola

O espiritismo identifica Deus como o Senhor da Vinha. Esta vinha representa o campo de trabalho que Deus nos confiou, uma dádiva para que a cultivemos e a façamos frutificar. Ela também simboliza nosso psiquismo, um vasto campo de trabalho à espera do esforço do lavrador. No plano físico, a vinha engloba todas as nossas oportunidades de atuação no mundo, seja na família, no emprego ou em nossas atividades sociais. Já no plano íntimo, ela se refere aos nossos sentimentos, emoções e vontades.

Pela lei do progresso material, somos chamados a cultivar a vinha no plano físico, contribuindo para o aprimoramento do mundo. Já pela lei do progresso moral, somos incentivados a cultivar a vinha em nosso íntimo, buscando nosso avanço moral.

O lagar, onde se pisam as uvas, é a ferramenta para trabalhar na vinha, extraindo dela os frutos que, em uma perspectiva espiritual, correspondem ao Evangelho pregado por Jesus. É somente por meio da vivência desse Evangelho que conseguiremos transformar o mundo.

O Brasil como Nação Escolhida

O Evangelho de Jesus, aliado à revelação espírita, são os meios que Deus nos forneceu para cultivarmos a vinha em nossos corações e produzirmos os frutos que Ele anseia colher.

A Parábola nos revela que a vinha estava cercada e possuía uma torre de guarda. Esses elementos evocam a imagem de um Pai atencioso e zeloso, que cuida de toda a sua criação.

Os agricultores, que eram arrendatários da vinha, simbolizam a humanidade. Os servos que foram enviados para colher os frutos esperados, e que acabaram sendo mortos, apedrejados e espancados, representam os profetas do Antigo Testamento. Eles vieram antes de Cristo, enviados por Deus para guiar a humanidade. O filho da vinha, que foi enviado por último, é uma representação do próprio Jesus, a pedra angular que foi rejeitada pelos construtores e, posteriormente, morto.

A Revelação Espírita e o Brasil

De acordo com a revelação espírita, não resta dúvida de que a nação referida na Parábola é o Brasil.

No ano de 1857, o Livro dos Espíritos é publicado na França, cumprindo-se assim, a promessa de Jesus sobre o envio do Consolador. Na penúltima página do livro dos Espíritos, com o título Prolegômenos, antecedendo o primeiro capítulo, os espíritos dizem a Allan Kardec: "Coloca na cabeça do livro a cepa de vinha que te desenhamos, porque ela é o emblema do trabalho do Criador."

Os espíritos, sob a coordenação do Cristo, anunciaram a vinha transportada, conforme Jesus finalizou na Parábola. Contudo, mesmo que a revelação espírita tenha sido plantada em Paris, na França, não é aquela a nação a que Jesus se referia na Parábola.

O Papel de Chico Xavier

Esta afirmação encontra ênfase na informação dos Espíritos a Allan Kardec, conforme registrado no livro "Obras Póstumas", no capítulo "Primeira notícia de uma nova encarnação".

Eles afirmaram que o espiritismo, embora semeado na França, não seria amplamente aceito e reconhecido durante a vida de Kardec. Ele desencarnaria sem testemunhar os frutos da semente que plantou na França, pois somente muito tempo depois esses frutos surgiriam e se espalhariam por toda a Terra.

Allan Kardec desencarnou em 31 março de 1869. Quatro décadas depois, em 02 de abril de 1910, Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo, MG. Ele trouxe ao mundo 504 obras ditadas pela espiritualidade, fazendo a semente plantada na França florescer e frutificar, e se difundir por todo o planeta.

A Missão do Brasil

No entanto, nossa missão como espíritas reencarnados em terras brasileiras foi revelada em 1938, por meio da psicografia de Chico Xavier, no livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho".

No capítulo 1 do referido livro, ocorre um diálogo entre Jesus e Hélil, um espírito de elevada esfera, sendo assim, um de seus assessores diretos. Em um determinado momento da conversa, Jesus diz a Hélil: "Nesta terra maravilhosa e abençoada, será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e amor."

E mais adiante, o Cristo completa: "Sob a luz misericordiosa das estrelas da cruz, ficará localizado o coração do mundo!"

No capítulo 2, Hélil, demonstrando preocupação com o projeto de Cristo de transportar seu evangelho para as terras brasileiras, diz a Jesus: "Temo, Senhor, que as nações ambiciosas matem as nossas esperanças, invalidando as suas possibilidades e destruindo os seus tesouros".

Jesus, confiante na proteção do Pai, não hesita em expressar com genuína certeza e alegria: "Helil, afasta essas preocupações e receios inúteis. A região do Cruzeiro, onde se realizará a epopeia do meu Evangelho, estará, antes de tudo, ligada eternamente ao meu coração".

Conclusão

Indubitavelmente, todas as outras nações do mundo recebem a proteção divina, pois todos somos filhos do mesmo Pai. No entanto, não nos foi concedido conhecer o plano de Deus para as demais nações; entretanto, o Brasil está conectado diretamente ao coração de Jesus. E o projeto de Jesus para o Brasil nos foi revelado no livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.

Nós, como espíritos antigos, que atravessamos centenas, até milhares de encarnações, e agora carregamos débitos de diversas naturezas, somente fomos selecionados para renascer no Brasil porque suplicamos a Jesus por essa oportunidade. Imploramos a chance de contribuir para nossa própria transformação moral, contando com o amparo direto de Seu Coração Compassivo.

Dessa forma, podemos, sob a orientação do conhecimento espírita, cultivar a terra de nossos corações para que produza os frutos que Ele espera de nós. Reencarnamos nas terras brasileiras porque assumimos um compromisso com Jesus de promover nossa transformação moral, de alterar a paisagem interna que está marcada pelo orgulho, vaidade, egoísmo, individualismo, interesses pessoais, arrogância, inveja, maldade e outros tantos vícios e defeitos morais que já somos capazes de identificar em nosso interior.

Jesus nos concedeu a oportunidade de cultivar hoje a vinha de nossos corações, sob a influência e as bênçãos que fluem diretamente de Seu magnânimo coração. Não devemos desperdiçar nem mais um momento do tempo que nos foi concedido.

No entanto, se negligenciarmos o compromisso assumido, é indubitável que perderemos a oportunidade de receber as emanações inspiradoras diretamente do coração de Jesus para realizar o trabalho de aprimoramento íntimo. E, certamente, a luz orientadora do Mestre iluminará os caminhos daqueles que demonstrarem uma dedicação e interesse maiores em progredir conscientemente.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A Parábola da Semente

A Parábola da Semente que Cresce em Segredo

A Parábola da Semente que Cresce em Segredo

"O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra. Quer ele esteja acordado, quer ele esteja dormindo, ela brota e cresce, sem ele saber como isso acontece. É a própria terra que dá o seu fruto: primeiro aparece a planta, depois a espiga, e, mais tarde, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas ficam maduras, o homem começa a cortá-las com a foice, pois chegou a hora da colheita." (Marcos 4:26–29)

Introdução à Parábola

Nesta parábola, Jesus compara o Reino de Deus a uma semente que cresce em segredo. Uma vez semeada, ela se desenvolve independentemente de o semeador estar acordado ou dormindo.

No Reino de Deus, que abrange todo o universo infinito, sementes são lançadas à terra pelo cultivador divino e se desenvolvem sem qualquer chance de fracassar. No mundo material, contudo, nem todas as sementes lançadas pelo agricultor germinarão.

A Lei Divina da Evolução

Por meio desta parábola, Jesus elucida uma lei divina; a lei da evolução. Esta determina que, uma vez criado o espírito, simples e ignorante, está destinado a perfeição, sem qualquer chance de retrocesso.

Pergunta 118 - Os Espíritos podem se degenerar?

"Não; à medida que avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito acaba uma prova, fica com o conhecimento que adquiriu e não o esquece mais. Pode ficar estacionário, mas retroceder, não retrocede."

O Simbolismo da Semente

Por essa razão, a semente cresce e se desenvolve além da compreensão do semeador. Isso ocorre porque, uma vez criado, o espírito nunca morre; ao invés disso, ele é lançado às experiências existenciais e continuará a evoluir, mesmo que não tenha consciência de sua própria trajetória evolutiva sob a tutela de Deus.

A figura do homem na parábola simboliza o espírito em seu trajeto evolutivo. A semente lançada ao solo é uma metáfora para o potencial divino intrínseco a cada ser. Assim como a minúscula semente contém em seu interior o potencial para se tornar uma árvore ou planta, o espírito carrega consigo as potencialidades divinas que gradualmente se revelarão à medida que ele evolui.

Estados de Consciência

Aprofundando-se nos ensinamentos transmitidos pela parábola, percebe-se que o espírito, criado à imagem e semelhança de Deus, caminhará em direção a Ele, cumprindo o propósito para o qual foi criado – orbitar ao redor de Deus. Isso ocorre independentemente de seu estado de consciência, seja ele desperto ou adormecido, fenômeno que se manifesta tanto de dia quanto de noite.

Na parábola, o verbo 'dormir' carrega um significado espiritual, não se referindo a um estado fisiológico, mas a um estado de sono psíquico. Da mesma forma, 'desperto' alude a um estado de consciência alerta.

Referências Evangélicas

Esses estados de consciência são mencionados diversas vezes no Evangelho de Jesus. Um exemplo é a passagem em Mateus 8:22, que diz "deixe os mortos enterrar seus mortos". Essa frase só pode ser compreendida considerando-se que Jesus se referia a estados psíquicos, e não fisiológicos.

O Sono Espiritual

Deve-se considerar que muitas pessoas encarnadas se encontram em um profundo estado de sono espiritual. Estas são aquelas que nascem e reencarnam repetidamente com a consciência insensível aos valores espirituais. Por não compreenderem que as vivências são lições valiosas para seu amadurecimento espiritual, enfrentam suas experiências evolutivas com grande sofrimento. Assim, sem essa compreensão, sofrem, adoecem e se tornam infelizes.

Assim, esse ser, em estado de consciência adormecida, não compreende por que adoece e se revolta contra Deus. Não entende por que a vida colocou em seu lar pessoas desafiadoras e, muitas vezes, acaba por abandoná-las. Não consegue discernir por que seus sonhos não se concretizam, tampouco por que é vítima de violência ou foi abandonado por quem ama, entre outras adversidades.

O Processo Evolutivo

Sem entender as experiências da vida, o ser humano passa por inúmeras existências físicas, acumulando ressentimentos, desafios, sofrimento e dor. Contudo, mesmo assim, evolui, muitas vezes de maneira inconsciente, pois mesmo em um estado de consciência adormecida, segue avançando. As experiências árduas e dolorosas da vida possuem justamente esse propósito: romper a casca que protege a essência divina presente em cada ser.

Pergunta 118 - Os Espíritos podem se degenerar?

"Não; aquele que caminha rápido se poupa das provas."

O Despertar Espiritual

A semente realiza parte de seu desenvolvimento no interior da terra, rompe a casca que a envolve na escuridão do solo, e, como diz Emmanuel, em Fonte Viva, cap. 171, para isso sofre a ação dos detritos da terra, afronta a lama, o frio, a resistência do chão, mas somente quando rompe todos os obstáculos passa a se orientar para cima, na direção do Sol. E a partir daí nascem-lhe as folhagens e depois os frutos.

Os Estados de Consciência na Parábola

A imagem do ser em um estado de consciência adormecida é análoga ao desenvolvimento da semente sob a terra. Na parábola, isso é representado pela semente que cresce durante a noite, enquanto o homem está adormecido.

Por outro lado, a imagem da semente que cresce durante o dia, enquanto o homem está acordado, faz uma analogia à segunda etapa do desenvolvimento da semente. Nesta fase, ela se liberta da casca protetora, rompe o solo e se volta em direção ao Sol. Isso representa o estado de consciência desperta.

O Caminho da Evolução Consciente

Caminhar desperto significa orientar-se pelo grandioso Sol que ilumina a humanidade: Jesus. É compreender a finalidade das adversidades, como a doença, aceitando-as com gratidão e buscando aprender a partir da experiência. Significa amar e compreender aqueles que caminham ao nosso lado, seja no lar, no trabalho ou em qualquer ambiente de aprendizado e serviço. Devemos reconhecer que, em um planeta de provas e expiações, o mal ainda prevalece. Por isso, a violência pode surgir como uma visita inesperada, servindo como uma lição valiosa ou uma oportunidade de exercitar virtudes, conforme exemplificado por Jesus.

Conclusão: Os Frutos do Despertar

Para concluir a parábola, Jesus enfatiza que é a terra que produz seus frutos: primeiro surge a folha, em seguida a espiga e, finalmente, o grão que preenche essa espiga. Quando o fruto atinge sua maturidade, chega o momento da colheita.

É este o destino da humanidade: evoluir gradualmente até atingir a essência do Cristo, a máxima expressão do amor. A capacidade de doação desinteressada é a mais nobre manifestação desse amor. Ao vivenciar genuinamente o amor por si mesmo, pelo próximo e por Deus, o ser torna-se semelhante à espiga repleta de grãos, pronta para ser colhida e saciar a fome alheia.

Somente ao elevar-se a Deus, através do amor incondicional por todos, é que o ser humano se torna instrumento de Jesus, o Pão da Vida. Assim, ele passa não apenas a saciar sua própria fome espiritual, mas também a auxiliar o próximo a fazer o mesmo. Esse, afinal, é o objetivo maior da vida: produzir frutos em abundância.

sábado, 29 de dezembro de 2018

A Transição Planetária

A Transição Planetária: Uma Análise Espírita da Renovação da Terra

A Transição Planetária: Uma Análise Espírita da Renovação da Terra

Vivemos atualmente os primeiros dias do terceiro milênio no nosso planeta, assim como o fenômeno da grande transição, conforme enunciado por Jesus no discurso escatológico, registrado pelos evangelistas Marcos, Mateus e Lucas.

A transição planetária sugere que o planeta está deixando para trás milênios de provas e expiações, ingressando lentamente em uma nova era, em conformidade com a lei do progresso. Isso porque nada e ninguém escapa às leis divinas.

O fenômeno transcorre marcado pelas características das duas etapas, onde os elementos de uma fase se misturam com os da outra. É por essa razão que o mundo vivencia extremos: presenciamos perversidades e crueldades sem precedentes, mas, simultaneamente, testemunhamos expressões de amor e fraternidade em uma intensidade nunca vista.

A Lei da Transição na Natureza

Ao observarmos a natureza, a lei da transição se torna evidente em todos os seus fenômenos. O dia não cede espaço à noite sem a transição do crepúsculo. Da mesma forma, as estações do ano, o ciclo lunar e as fases da vida humana, do nascimento à velhice, são marcados por nítidos períodos de mudança.

Sendo Deus o autor de todo o universo, todos os planetas estão também submetidos à lei do progresso. Assim, entre um ciclo planetário e outro, existe um período de transição, como o que atualmente vivenciamos na Terra.

A Visão Espírita da Transição

A Terra esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha, e atingirá, sob esse duplo aspecto, um grau mais elevado. Ela chegou a um dos seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, tornar-se-á mundo regenerador. Os homens, então, serão felizes na Terra, porque nela reinará a lei de Deus.

Allan Kardec, no livro Gênese, cap. 18, item 08, reproduz o relato do espírito Arago:

"Quando se vos diz que a Humanidade chegou a um período de transformação e que a Terra tem que se elevar na hierarquia dos mundos, nada de místico vejais nessas palavras; vede, ao contrário, a execução da uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra toda a má vontade humana".

Os Evangelhos e a Transição

Os Evangelhos de Marcos 13, Mateus 24 e Lucas 21 registram o discurso escatológico de Jesus. Nesses textos, os discípulos perguntam ao Mestre sobre como identificar os sinais do fim do mundo. Jesus, então, esclarece-lhes, apontando os sinais dos tempos.

É importante destacar que as expressões bíblicas "fim do mundo", "consumação dos séculos" e "fins dos tempos" não indicam um final do mundo no sentido de uma destruição definitiva. Isso porque não existe um "fim" per se, mas um eterno ciclo de recomeços. O término de um ciclo ou de uma fase é simultâneo ao início do próximo. Caso contrário, não faria sentido Jesus prometer, em seu discurso sobre as bem-aventuranças, que os mansos herdarão a Terra. A promessa de que os mansos herdarão a Terra sugere que o planeta não será destruído.

A Terra não será destruída; ao contrário, será renovada. Essa ideia é refletida em muitas das parábolas de Jesus, incluindo a parábola da rede, a do festim de noivas, a do joio e do trigo, e a dos trabalhadores da última hora, dentre outras.

A Renovação da Terra

A Terra renovada servirá como refúgio para espíritos que buscam sua própria renovação moral. Enquanto isso, aqueles que ainda não se sintonizaram com essa nova realidade serão transferidos para outro planeta.

É exatamente isto que Jesus ensina na parábola da rede, que diz o seguinte:

O reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Interpretação da Parábola da Rede

Na parábola, alguns pontos se destacam para reflexão. O primeiro é a aferição de valores que ocorrerá no final dos tempos. Isso fica evidente quando a rede é lançada ao mar, recolhendo peixes de todas as espécies e quantidades, para somente depois proceder à sua separação. Essa mesma lógica é vista na parábola do joio e do trigo, onde ambos crescem juntos, sendo separados apenas posteriormente.

A Terra pode ser comparada a uma rede lançada ao mar, que reuniu uma vasta quantidade de espíritos. Atualmente, somos pouco mais que 7 bilhões, todos aqui para trabalhar pelo nosso próprio aperfeiçoamento moral dentro de um prazo estabelecido por Deus. Esse momento chegou; é o tempo de avaliação de valores e de separação.

A Aferição de Valores

O segundo ponto de destaque na parábola refere-se à separação entre os espíritos ruins dos justos. Esta diferenciação ocorre entre aqueles comprometidos com sua própria transformação moral e os que persistem no mal. Esta tarefa de separação é realizada por anjos, ou seja, espíritos puros que detêm as rédeas diretoras do planeta Terra.

Isto porque, entre as principais características da transição planetária, destaca-se a aferição de valores morais dos habitantes da Terra. Neste processo, os Espíritos verdadeiramente comprometidos com sua evolução moral herdarão o planeta renovado. Por outro lado, aqueles que conscientemente escolhem persistir no erro e no mal serão naturalmente conduzidos a reencarnar em outro mundo, onde conviverão com Espíritos de similar padrão evolutivo. É importante compreender que este exílio não constitui uma punição, mas representa uma manifestação do amor infinito e da misericórdia do Pai, que proporciona a cada filho as condições mais adequadas para seu progresso espiritual.

Emmanuel, no livro a Caminho da Luz, esclarece que "na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma comunidade de Espíritos puros e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias".

O Exílio Espiritual

Emmanuel também afirma que, no distante passado, essa comunidade de espíritos puros se reuniu com o propósito de trazer à Terra os espíritos exilados do sistema Capela. Essa decisão ocorreu quando um dos orbes daquele sistema planetário estava passando por uma transição.

As grandes comunidades espirituais, que dirigem o cosmos, decidiram, então, enviar aquelas entidades, persistentes no crime, para esta Terra distante. Aqui, através da dor e dos laboriosos desafios do ambiente, elas aprenderiam as nobres conquistas do coração, impulsionando, ao mesmo tempo, o avanço dos seus irmãos mais atrasados.

O Simbolismo do Fogo e da Renovação

O terceiro ponto que se destaca na parábola é a menção às expressões "fogo e ranger de dentes". Elas são simbólicas, proferidas numa era em que a mentalidade limitada das pessoas não conseguia compreender o significado cósmico embutido nelas.

Quando Jesus afirma que os anjos separarão os maus dos justos e os lançarão na fornalha de fogo, onde haverá pranto e ranger de dentes, Ele está se referindo simbolicamente ao destino dos espíritos persistentes no mal. Esses espíritos reencarnarão em um mundo habitado por muitos outros semelhantes a eles, todos teimosos em suas inclinações negativas. Em mundos de provas e expiações, assim como em mundos primitivos, o mal prevalece.

Naturalmente, em um planeta onde o mal predomina, o sofrimento e a dor são inevitáveis, tal como descrito por Jesus com as palavras "choro e ranger de dentes". A "fornalha de fogo" pode ser entendida como a consciência da culpa. Todo indivíduo que pratica atos de maldade e perversidade, mais cedo ou mais tarde, se vê consumido pelo remorso e pela culpa. E, mesmo que essa consciência cause dor e queime intensamente, ela também possui um poder purificador. Esse fogo interior, por um lado, causa sofrimento, mas por outro, conduz o ser a uma transformação, redirecionando o curso de sua vida rumo a Deus.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A Parábola dos Vinhateiros Homicidas

A Parábola dos Vinhateiros Homicidas e a Missão do Brasil

A Parábola dos Vinhateiros Homicidas e a Missão do Brasil

A Parábola dos vinhateiros homicidas, registrada por Mateus, capítulo 21, v. 33 a 45, interpretada à luz da doutrina espírita, permite identificar o porquê da reencarnação no Brasil.

Espíritos milenares, egressos de centenas de outras civilizações, muitas das quais nem mais existem, foram reunidos em terras brasileiras para cumprir um compromisso anunciado na Parábola dos vinhateiros homicidas.

A parábola dos vinhateiros homicida fala diretamente aos corações dos brasileiros sobre compromisso que temos com Jesus.

A Parábola Segundo Mateus

Um homem, chefe de família, plantou uma vinha, circundou-a com uma cerca, cavou nela um lagar para pisar uvas e construiu uma torre de guarda. Em seguida, arrendou a vinha a agricultores e viajou para o estrangeiro. Quando se aproximou o tempo dos frutos, enviou seus servos aos agricultores para receber seus frutos. Os agricultores, porém, agarraram os servos, espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram. Novamente o dono da vinha enviou outros servos, em maior número que os primeiros. Mas eles os trataram do mesmo modo. Por fim, enviou-lhes o próprio filho, dizendo: respeitarão a meu filho. Mas os agricultores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e tomemos posse de sua herança! Então, agarraram-no e lançaram-no fora da vinha e o mataram. Então, quando o senhor da vinha voltar, que fará com esses agricultores? Perguntou Jesus aos que o ouviam. Eles responderam. Dará triste fim a esses criminosos e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo. Então, Jesus lhes diz: "Vocês nunca leram nas Escrituras? 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isso vem do Senhor, e é admirável aos nossos olhos? Por isso vos digo que o Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que produza seus frutos.

Interpretação Espírita da Parábola

O espiritismo aponta Deus como o Senhor da Vinha. A vinha é o campo de trabalho que Deus nos arrendou, nos emprestou, para que a cultivemos, fazendo-a frutificar. Corresponde, ainda, ao nosso psiquismo, vasto campo de trabalho aguardando o serviço do lavrador.

A vinha, no plano físico, corresponde a todas as nossas possibilidades de trabalho no mundo, como família, emprego, nossas atividades sociais, enfim. No plano íntimo, a vinha corresponde aos nossos sentimentos, emoções, vontade.

Pela lei do progresso material devemos cultivar a vinha no plano físico, contribuindo pelo aprimoramento do mundo. Pela lei do progresso moral devemos cultivar a vinha no plano íntimo, trabalhando pelo nosso adiantamento moral.

Elementos Simbólicos da Parábola

O lagar de pisar uvas é o instrumento para trabalhar na vinha, extraindo dela os frutos que correspondem, sob o ponto de vista espiritual, ao Evangelho ensinado por Jesus. Somente pela vivência do Evangelho poderemos transformar o mundo. O Evangelho de Jesus e a revelação espírita são os instrumentos que Deus nos enviou para que possamos cultivar a vinha nos nossos corações, a fim de produzir os frutos que Deus espera colher.

A Parábola informa que a vinha estava cercada e havia nela uma torre de guarda. Estes elementos remetem a ideia de um Pai cuidadoso, que zela de toda sua criação.

Na interpretação simbólica da parábola, os agricultores, que eram locatários da vinha, representam a humanidade em sua jornada evolutiva. Os servos enviados pelo proprietário para colher os frutos simbolizam os profetas do Antigo Testamento, mensageiros divinos que, antes da vinda de Cristo, foram enviados por Deus para orientar a humanidade. Estes profetas, conforme narrado nas escrituras, foram perseguidos, apedrejados, espancados e mortos.

O filho do senhor da vinha, enviado por último, representa o próprio Jesus Cristo - a pedra angular rejeitada pelos construtores, que também teve um destino trágico nas mãos dos homens. Diante destes acontecimentos, Jesus apresenta uma pergunta crucial aos seus ouvintes: "O que vocês acham que o senhor da vinha fará com esses agricultores?" A resposta é significativa: "Dará triste fim a esses criminosos e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo."

A conclusão da parábola traz uma profecia quando Jesus anuncia que o Reino de Deus seria retirado daquela geração e concedido a uma nação que produzisse os frutos esperados. Segundo a revelação espírita, esta nação mencionada na parábola é o Brasil, escolhido para ser o solo onde os ensinamentos do Cristo frutificariam em sua plenitude.

A Missão Espiritual do Brasil: Da França ao Coração do Mundo

O início da doutrina espírita teve seu marco em Paris, França, através da codificação realizada por Allan Kardec. Porém, conforme revelado no livro "Obras Póstumas", no capítulo "Primeira notícia de uma nova encarnação", os próprios espíritos comunicaram a Kardec que a semente plantada na França não alcançaria imediatamente sua plenitude. De fato, Kardec desencarnou em março de 1869 sem presenciar a ampla disseminação de seus ensinamentos.

Foi somente quarenta e um anos após sua partida, em 2 de abril de 1910, que nasceu em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, Francisco Cândido Xavier. Através de sua mediunidade extraordinária, que resultou em 504 obras psicografadas, o espiritismo finalmente encontrou terreno fértil para florescer e se espalhar pelo mundo, tendo o Brasil como centro irradiador.

A Parábola da Vinha e sua Significação Espiritual

A trajetória do espiritismo pode ser compreendida através da Parábola da Vinha, mencionada por Jesus. A vinha, que simboliza os ensinamentos espirituais, foi retirada de Jerusalém, temporariamente cultivada na França, para finalmente estabelecer suas raízes definitivas no Brasil. Assim como o Evangelho foi um legado divino confiado inicialmente ao povo hebreu, o espiritismo tornou-se um legado especialmente destinado ao povo brasileiro, para ser vivenciado e exemplificado.

Brasil: Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

A missão espiritual do Brasil começou a ser revelada em 1938, através da obra "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", psicografada por Chico Xavier. No primeiro capítulo, um diálogo significativo entre Jesus e Helil, um de seus elevados assessores espirituais, revela o destino especial reservado ao Brasil:

"Para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e de amor", afirmou Jesus, complementando que "sob a luz misericordiosa das estrelas da cruz, ficará localizado o coração do mundo!"

A Proteção Divina e a Missão dos Brasileiros

Quando Helil expressou preocupação com possíveis interferências de nações ambiciosas, Jesus respondeu com convicção:

"A região do Cruzeiro, onde se realizará a epopeia do meu Evangelho, estará, antes de tudo, ligada eternamente ao meu coração."

Embora todas as nações recebam a proteção divina, o Brasil possui uma ligação especial com o coração de Jesus. Esta conexão única traz consigo uma responsabilidade igualmente especial: os espíritos que reencarnam em solo brasileiro têm a oportunidade de trabalhar em sua transformação moral sob a orientação do conhecimento espírita.

Nossa Responsabilidade Espiritual

Para nós que reencarnamos no Brasil, com débitos de múltiplas existências, esta é uma oportunidade singular de evolução. Sob a orientação do conhecimento espírita e o amparo direto do Cristo, temos a chance de cultivar em nossos corações os frutos espirituais que o Mestre espera de nós.

Esta missão representa não apenas um privilégio, mas também uma grande responsabilidade: a de transformar o Brasil no verdadeiro Coração do Mundo e Pátria do Evangelho, conforme o planejamento divino.

Trabalhadores da última hora, mãos à obra! Possamos nos esforçar incansavelmente para transmudar sentimentos e emoções e, assim, permanecer caminhando com o Mestre amado, sob Sua inspiração direta.

No entanto, se abandoarmos o compromisso assumido, com certeza a vinha nos será tirada e dada a quem produza os frutos no tempo certo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O Rico e Lázaro

A Parábola do Rico e Lázaro

A Parábola do Rico e Lázaro

A parábola do rico e Lázaro, registrada no Evangelho de Lucas, capítulo 16, versos 19 a 31, ressalta a possibilidade da comunicação entre os mortos e os vivos, as diferenças vibratórias entre os espíritos e a lei de causa e efeito. O cerne dessa parábola, entretanto, é a indiferença moral, que se revela como uma característica predominante nos habitantes do planeta Terra, dificultando o seu progresso em direção a Deus.

A Indiferença como Cristalização do Sentimento

Emmanuel, no livro "O Consolador", na questão 180, afirma que a indiferença é a cristalização do sentimento. O benfeitor ressalta que a indiferença é um dos piores estados psíquicos da alma, uma vez que anula as possibilidades de progresso do espírito, bloqueando os germes de sua perfeição.

Reflexões no Evangelho Segundo o Espiritismo

No capítulo IX, item 8, do "Evangelho Segundo o Espiritismo", o espírito comunicante, coincidentemente chamado Lázaro, registra que a civilização planetária atualmente apresenta a atividade intelectual como virtude, enquanto mantém a indiferença moral como vício.

Progresso Intelectual e Indiferença Moral

A humanidade, sem dúvida, tem progredido de maneira admirável no campo do conhecimento, na pesquisa científica e na tecnologia. Entretanto, juntamente com essas conquistas tecnológicas surpreendentes, a indiferença moral em relação às necessidades dos outros também é impressionante.

A indiferença moral pode ser observada nas ruas tanto dos pequenos quanto dos grandes centros urbanos, acompanhando em silêncio a ativa atividade intelectual humana. Entre prédios, veículos, construções e equipamentos públicos, permanecem invisíveis os necessitados que estão presentes por toda parte: nos semáforos, nas calçadas, nas portas de bancos, lojas e restaurantes, estendendo suas mãos em busca de ajuda, enquanto aqueles que passam por eles seguem indiferentes.

A indiferença moral também se manifesta nos comportamentos humanos que optam por não cumprimentar um conhecido, agindo como se não o vissem. Ela está presente nos comportamentos que negam a um pai, irmão, filho, amigo ou até a um desconhecido qualquer forma de auxílio, seja material ou intelectual.

A Parábola Contada por Jesus

Foi por isso que Jesus contou esta parábola:

“Havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele. E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico e foi sepultado.

No Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio. E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá.

E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.”

Parábolas de Jesus: Convites à Reflexão e Transformação Moral

As parábolas de Jesus são convites à reflexão, orientados para o processo de transformação moral. Diante deste texto, é relevante questionarmo-nos se nos identificamos com algum dos personagens ou com os conteúdos e símbolos apresentados.

O personagem rico na parábola representa a indiferença diante das necessidades alheias. Apesar de ser retratado como alguém rico em recursos materiais, é crucial considerar todas as demais riquezas que Deus concede ao espírito para sua jornada evolutiva bem-sucedida. Todas as pessoas possuem talentos e possibilidades diversificadas, muitas vezes não compartilhadas com os outros devido à indiferença e ao egoísmo que as aprisionam.

Por outro lado, os "Lázaros" das necessidades podem ser qualquer pessoa em dificuldade ou necessidade, buscando auxílio dos outros, mas encontrando apenas indiferença e frieza por parte daqueles a quem pedem ajuda. São indivíduos que Deus espera serem socorridos por meio do auxílio de outros, mas que não encontram nos corações daqueles que possuem a capacidade de ajudar a boa vontade necessária para se tornarem instrumentos de apoio aos necessitados.

O Desafio da Transformação Interior

O grande desafio apresentado pela parábola é a capacidade de reconhecer, no íntimo de cada ser, a presença da indiferença, buscando dissolvê-la. Essa ação permitirá libertar-se das correntes do egoísmo, um vício de caráter que colocou o rico da parábola em um estado doloroso de consciência, que se assemelha ao inferno. Este é o destino de todos aqueles que conduzem suas vidas na direção oposta à lei do Amor

O Despertar do Rico no Mundo Espiritual

O rico, da parábola, desperta no mundo espiritual em uma situação dolorosa, resultado direto do egoísmo que guiou o uso dos talentos que Deus lhe concedeu. Ele percebe que Lázaro está em uma condição melhor do que a sua e é informado de que isso ocorre porque Lázaro enfrentou as provações de sua vida miserável com resignação. Em meio à profunda amargura, ele suplica por ajuda a Abraão, que na parábola representa um benfeitor espiritual.

Os Desígnios Divinos e o Abismo Entre as Almas

Contudo, Abraão não pode socorrê-lo naquele momento, sendo-lhe impossível. Um abismo existe entre aqueles que se atormentam com a culpa em suas consciências e aqueles que aprenderam a amar e a servir.

Deus cuida de todos os Seus filhos, atendendo às suas necessidades verdadeiras, não aos seus desejos superficiais. No caso do rico, sua impossibilidade de receber socorro naquele momento decorre dos desígnios da lógica divina, que muitas vezes são desconhecidos e inacessíveis aos seres humanos. Em algumas ocasiões, a maior dor e o mais intenso sofrimento na vida de uma pessoa podem ser os instrumentos que a conduzirão a uma conexão mais profunda com Deus.

O apóstolo Paulo, na segunda carta aos Coríntios, capítulo 12, versos 7 e 8, faz referência a um "espinho na carne" que o atormentava constantemente. Ele havia suplicado a Deus para ser libertado desse sofrimento. Contudo, a resposta divina foi negar seu pedido, pois esse "espinho" era aquilo que o mantinha espiritualmente vigilante e atento.

Isso ilustra que nem sempre a remoção imediata do sofrimento é o melhor caminho, pois às vezes é através dessas dificuldades que somos impulsionados a crescer espiritualmente e a desenvolver uma maior proximidade com Deus.

A Dor Como Ferramenta de Renovação

Léon Denis, no livro "O Problema do Ser, do Destino e da Dor", destaca a importância da dor no processo de renovação moral. Ele descreve a dor como uma ferramenta divina capaz de purificar o coração humano, eliminando o mal que a consciência não reconheceu.

O egoísmo do rico na parábola se manifesta mesmo quando ele está enfrentando o sofrimento. Ele está disposto a rogar por bênçãos divinas somente para seus entes queridos, demonstrando esquecimento em relação às demais criaturas humanas, que também são filhas do mesmo Pai. Ele pede a Lázaro, em espírito, que retorne para alertar seus irmãos sobre as verdades da vida após a morte. No entanto, sua preocupação está apenas com sua família, ignorando as necessidades de todas as outras criaturas. O egoísmo ainda prevalece em seus impulsos, e ele não percebe que é exatamente esse egoísmo que é a raiz de toda a dor e sofrimento que está vivenciando.

Os Ensinamentos de Moisés e os Profetas

Abraão respondeu, afirmando que os familiares do rico já tinham à disposição Moisés e os Profetas, e que eles deveriam estudar esses ensinamentos, pois nada do que estava ocorrendo era novo; todas essas verdades já haviam sido transmitidas pelos missionários que vieram antes de Jesus.

O rico possuía as revelações divinas deixadas pelos Profetas, mas negligenciou a oportunidade de se aprofundar nessas sábias palavras e permitir que elas guiassem sua vida.

O Evangelho de Jesus e a Doutrina Espírita

A humanidade tem no Evangelho de Jesus um guia para a sua evolução espiritual, e na Doutrina Espírita um manual para percorrer esse caminho. Conhecer, refletir e aplicar os ensinamentos que Jesus nos deixou é uma escolha individual que compete a cada um fazer.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Os Trabalhadores da Vinha

A Parábola dos Trabalhadores da Vinha

A Parábola dos Trabalhadores da Vinha

Pois o Reino dos Céus é semelhante ao homem, pai de família, que saiu de ao raiar do dia a assalariar trabalhadores para a sua vinha. Depois de ajustar com os trabalhadores um denário por dia, os enviou para sua vinha. E tendo saído por volta da terceira hora, viu outros, que estavam de pé na praça, desocupados, e disse a esses: Ide vos também para a vinha, e o que for justo vos darei. E, eles foram. Novamente, saindo por volta da sexta e nona hora, procedeu da mesma forma. Tendo saído por volta da undécima hora, encontrou outros, que estavam de pé, e diz para eles: por que ficastes de pé, aqui, o dia inteiro, desocupados? Eles lhe dizem: Porque ninguém nos assalariou. Ele lhe diz: Ide vos também para a vinha. Chegado ao fim da tarde, o senhor da vinha diz ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando dos últimos até os primeiros. Vindo os da undécima hora, receberam um denário, cada um. Vindo os primeiros, pensaram que receberiam mais; todavia, também eles receberam um denário, cada um. Ao receberem, murmuraram contra o senhor da casa, dizendo: Estes últimos fizeram só uma hora, e tu os fizestes iguais a nós, que carregamos o peso do dia e o calor ardente. Em resposta, disse a um deles: Companheiro, não estou sendo injusto contigo. Não ajustaste comigo um denário? Toma o teu e vai-te; quero dar a este último tanto quanto a ti. Não me é lícito fazer o que quero com o que é meu? Ou o teu olho é mau, por que eu sou bom? Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serões últimos. Mateus 20:1-16.

O Significado Espiritual do Trabalho e da Vinha

Nas parábolas de Jesus, o Reino dos Céus frequentemente é equiparado a um estado íntimo de consciência. Esta condição de plenitude espiritual, no contexto da parábola, se assemelha ao trabalho: enquanto no plano material ele impulsiona o progresso do mundo, no âmbito interno, catalisa o desenvolvimento espiritual. A vinha, ao representar o âmbito de atuação do espírito imortal, simboliza tanto o mundo tangível quanto o universo íntimo de cada ser.

Em todos os planos da vida, Deus nos convida ao trabalho. No mundo, somos encorajados a contribuir para o progresso material; internamente, somos convocados a laborar no terreno de nossos corações, cultivando virtudes que nos elevam a níveis superiores.

Na parábola, o trabalho assume um matiz espiritual, refletindo como Jesus fala aos nossos corações. O Pai de família, que busca trabalhadores em diferentes momentos do dia, ilustra que Deus, incessantemente, convoca seus filhos ao árduo trabalho de transformação moral.

A Transição Planetária e o Momento Atual

No entanto, há aqueles que acolhem o chamado divino mais cedo, enquanto outros o fazem mais tarde. Porém, todos, inevitavelmente, despertarão. E a recompensa para todos os trabalhadores será a mesma, independentemente de quando começaram sua jornada de regeneração.

O versículo 08 destaca o momento do pagamento aos trabalhadores: a noite. Como a noite simboliza o término do dia, a parábola sugere o final de um ciclo ou etapa evolutiva.

No capítulo 20 do 'Evangelho Segundo o Espiritismo' (ESE), a parábola é analisada por quatro espíritos, incluindo o Espírito da Verdade. Eles afirmam que ela antecipa momentos decisivos que a humanidade enfrentará, visto que está nos planos divinos a transição da Terra para a categoria de mundo de regeneração. Isso significará que nosso planeta deixará de ser um refúgio para espíritos que precisam de um mundo de provas e expiações para evoluírem.

O Trabalho de Transformação Moral

Os espíritos destacam que novos tempos se aproximam para a humanidade. Estamos, assim, nas últimas horas de um ciclo, aguardando o alvorecer de uma nova era, e é por isso que Jesus enfatiza tanto a importância do trabalho de transformação moral.

No "Evangelho Segundo o Espiritismo" (ESE), na página 221, ao discorrer sobre esta parábola, o espírito Erasto exorta: "Arme-se de decisão e coragem, ó vossa legião! Mãos à obra! O arado está pronto; a terra, preparada: Arai."

A 'terra preparada', moldada pelas lutas e experiências de inúmeras encarnações passadas, simboliza o coração. O 'arado', por sua vez, representa a vontade. Portanto, com a vontade determinada, podemos trabalhar nosso interior, removendo imperfeições que obstruem o desenvolvimento de virtudes. Estas virtudes nos preparam para herdar a Terra.

A Inveja como Obstáculo Espiritual

Na parábola, Jesus sinaliza a iminência dos tempos delineados por Deus. A Terra está predestinada aos mansos e pacíficos, conforme proclamou no Sermão do Monte. Este é, de fato, o ponto ápice da parábola, ressaltando a imperativa necessidade de reflexão sobre esse ensinamento.

Os primeiros trabalhadores, apesar de sua prolongada dedicação na vinha, ainda não haviam cultivado a mansidão e a paz interior. Embora tenham atendido ao chamado do Senhor da Vinha e se dedicado por mais tempo, não estavam aptos a herdar a terra.

O tratamento igualitário dispensado pelo Senhor da Vinha aos trabalhadores que chegaram posteriormente causou inconformismo nos que haviam chegado mais cedo, levando-os a questionar o Senhor. Esse ato revelou um coração tomado pela inveja. Assim, a resposta veio: 'Companheiro, não estou sendo injusto contigo. Não ajustaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai. Quero dar a este último tanto quanto a ti. Não posso fazer o que desejo com o que é meu? Teu olho é invejoso porque eu sou generoso?

A Natureza da Inveja e Suas Consequências

Um coração dominado por inveja e ciúme não vibra em sintonia com a mansidão. A parábola nos convida a refletir sobre esta imperfeição moral, que ainda marca presença em muitos de nós que habitam a Terra.

A inveja difere da cobiça. Enquanto a cobiça é o desejo de possuir o que pertence a outro — e, apesar de negativa, é um mal menor — a inveja é a perversa satisfação em ver ou causar a ruína da felicidade alheia, seja em conquistas morais ou materiais.

A inveja é uma profunda falha de caráter, um veneno que corrompe o coração. É uma enfermidade altamente nociva, pois é matriz de muitos males. Inclusive, foi essa falha que motivou o exílio de muitos espíritos para nosso planeta, incluindo os capelinos.

A Superação da Inveja e o Caminho para a Evolução

O canto de dor dos espíritos exilados de Capela, encontra-se representada nos primeiros capítulos da Bíblia. As imagens simbólicas de Adão e Eva, expulsos do paraíso, e de Caim, que mata Abel movido pela inveja, servem como advertências às futuras gerações: um aviso para não caírem nos mesmos padrões comportamentais que os distanciaram de Deus.

A inveja é um sentimento presente apenas nos corações dos espíritos menos evoluídos. Isso é evidenciado na resposta à questão 970 do 'Livro dos Espíritos'. Como a Terra está destinada a elevar-se na hierarquia dos mundos, cabe a nós aprimorar nosso padrão vibratório. Apenas assim estaremos aptos a continuar nossas reencarnações neste planeta.

À medida que nosso planeta avança rumo a uma nova Era, apenas os espíritos que se libertarem das amarras do mal continuarão a reencarnar aqui. A inveja, destacada na parábola, é uma raiz do mal, surgindo do orgulho, vaidade e egoísmo.

O Combate à Inveja e a Busca pela Evolução Espiritual

Na questão 933 do 'Livro dos Espíritos', é afirmado que a inveja e o ciúme são como torturas da alma; são como vermes que corroem e destroem psicologicamente quem os sente.

Dessa forma, a parábola funciona como um chamado de Jesus para superarmos a inveja dentro de nós, assumindo, com humildade, o reconhecimento de que ainda carregamos essa imperfeição em nossos corações.

Reconhecer a existência do mal, sua magnitude e esfera de influência, é essencial para compreendê-lo e, consequentemente, dominá-lo. Um guerreiro está preparado para combater apenas os inimigos que reconhece. Admitir a presença do mal em nosso coração é o primeiro passo rumo à sua superação.

O Papel da Fé e da Graça Divina

O subsequente e crucial passo para subjugar esse adversário interno é a conscientização de nossa dependência da graça divina. Ao orarmos a Deus, solicitando Sua ajuda para superar as mazelas da inveja e do ciúme, conectamo-nos às forças cósmicas que sustentam a harmonia do universo.

Joana de Angelis, no livro 'Em Busca da Verdade', aconselha-nos a cultivar sentimentos nobres com genuína alegria. Devemos encontrar satisfação na felicidade alheia, especialmente se almejamos seguir os ensinamentos de Jesus.